O tempo evacua;
pegue o dicionário. Não quero, vou usar o que tenho em vocabulário mesmo.
As pendências pedem,
imploram minha ação, em algum lugar lá dentro.
E eu, nem me lembro.
O escuro emerge abstrato
em pontos solitários dos meus olhos.
O globo inteiro, insatisfeito,
reclama: só viram uma parte de mim.
Rebato: transporte-me você, com suas forças tectônicas. Sou só seus restos mortais.
- Desculpe-me, mas sua obrigação de existir não faz parte de minhas pendências.
- Mas está em minhas pendências criticar suas imperfeições.
- Olha, garota, eu apenas surgi ao acaso e continuo fazendo minha tarefa rotineira e repetitiva, desde sempre. Se achas que as desgraças humanas pessoais e plurais são responsabilidade minha, engana-te redondamente. Sou somente o lar.
- Eu sei, os mesmos que inventaram as próprias desgraças humanas são os que inventaram que a culpa é do mundo.
- E que o mundo está terrível. Eu estou ótimo, continuo normal com meu ciclo. Quem lamenta é a tua espécie, suando e implorando por leis metafísicas.
- Obrigada pelo esclarecimento.
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