segunda-feira, 18 de julho de 2011

Estilo inicial até previsto


 Abri. Mas e agora? Por onde começo? Já comecei. O começo na verdade seria o início do assunto... Ou não seriam os primeiros caracteres? A primeira convenção frasal... Não sei. Ou sei. Ah, já chega desse joguinho de palavras modestas... Todos sabem razoavelmente, ou até acham que sabem demais. Ah, também não vou partir para o julgamento de valores que as pessoas atribuem a si mesmas. A arte vai se compondo... Mas isso não é arte. É só uma introdução tirada a algo simples ou analisada por um paranóico como cheio de mensagens subliminares. Juro que não há. Nem sou tão esperta assim.
 Juro também que não utilizei nenhuma droga (sério?), só estou sob um efeito comum de sono leve e confortável, também misturado a algumas dores intensivas e fracas (no momento) exclusivamente femininas. Bom, e cadê a pretensão? Cadê a erudição? A busca humana de algum assunto? Não sou boa em achar assuntos e desdobrá-los fora de minha cabeça. Até faço, mas nunca dá certo. Geralmente me culpam pelas ramificações de técnicas de comunicação, como quando eu até chateio por parecer querer explicar demais, ou quando me faço de inocente e falo como uma criança inspirada por uma epifania subestimada pelos adultos convictos de suas verdades, ou até de quando eu falo mesmo com um tom sério de mulher impaciente (imaginem aspas em mulher, pois acho que estou longe de ser algo tão adjetivado e estereotipado) e até tento questionar com minhas comunzices de uma pessoa leiga e que é facilmente derrotada por algum argumento simples como “você está tirando de filósofa” ou um simples “cale a boca”. Pois é, a educação é um prato raro a se valorizar.
 Enfim, estou meio deslumbrada com fatores externos que andei acompanhando. Pela internet, claro, alimento predileto da juventude. Só que não estou naquele estado de fazer comentários a respeito, nem analisar, etc... Só foi um começo estético que levou a um meio de desabafo. Não vou jogar muitas peças a respeito de pessoalidades, por enquanto, pois ando me preparando psicologicamente para ao menos escrever o que realmente penso. Não vou deixar oculto que já tentei escrever críticas ou opiniões ou qualquer outra coisa diversas vezes em escrita também por meio de blogs. Essa não é uma primeira. Mas fiquei tão despretensiosa por algo que li há instantes que estou assim. Apesar de querer abordar muitas coisas, estou ditando o básico do nanômetro...
 É uma forma terapêutica de lidar com pequenos tormentos. Para quem ler por acaso, espero que pense em algo que está acontecendo com sua vida e pense calmamente... Sem essa mesma tal pressa que me pressiona em querer saber tudo. É uma erudição que não respeita os limites do tempo. Não respeita aquela famosa frase de Einstein onde “o único motivo para a existência do tempo é que tudo não aconteça de uma só vez”... Irônico e simples... E gênio...
 Talvez seja só isso. Não há, e talvez nem tenha havido nada concreto a nossos arredores para argumentar de fato durante esta curta prosa. Não sou filósofa o bastante para isso.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Monólogo poético e um diálogo

O tempo evacua;
pegue o dicionário. Não quero, vou usar o que tenho em vocabulário mesmo.
As pendências pedem,
imploram minha ação, em algum lugar lá dentro.
E eu, nem me lembro.
O escuro emerge abstrato
em pontos solitários dos meus olhos.
O globo inteiro, insatisfeito,
reclama: só viram uma parte de mim.
Rebato: transporte-me você, com suas forças tectônicas. Sou só seus restos mortais.
- Desculpe-me, mas sua obrigação de existir não faz parte de minhas pendências.
- Mas está em minhas pendências criticar suas imperfeições.
- Olha, garota, eu apenas surgi ao acaso e continuo fazendo minha tarefa rotineira e repetitiva, desde sempre. Se achas que as desgraças humanas pessoais e plurais são responsabilidade minha, engana-te redondamente. Sou somente o lar.
- Eu sei, os mesmos que inventaram as próprias desgraças humanas são os que inventaram que a culpa é do mundo.
 - E que o mundo está terrível. Eu estou ótimo, continuo normal com meu ciclo. Quem lamenta é a tua espécie, suando e implorando por leis metafísicas.
- Obrigada pelo esclarecimento.

Protocolos Sociais e Estratégias


Tão fácil notar
o que concreto tornou-se disperso
dentro do ar límpido e capitalizado;
fácil de sentir a tristeza instantânea.
Difícil levantar-se
e buscar outras dimensões,
encontrá-las e contorná-las
em um só ponto definido
e sem contradições.
De vez em quando, vive-se isso,
esse nada interno embutido
no tudo externo,
essa contração ácida
e falácia, com contatos e contratos;
visões vitais à reprodução cíclica
misturada ao desejo metafísico do eterno,
brincadeiras de criança para sempre,
por enquanto, a conduta bíblica.
Circunstâncias criam-se,
e incrivelmente
recebem interpretações semelhantes;
a partir daí, dá-se alguns costumes
de sobrevivência e conformismo,
e ninguém mais voa.
Ninguém mais entende.
Inventam orgia lírica para os pobres
e os fazem crescentes aprendizes.
Deixam o peixe pescado pular fora
e liberam-no para ir embora.

Transição "pós-sono-contínuo"


Mortos vivos escondidos
Abaixo ao campo, solitários
alguns com seus destinatários
outros meio enbranquecidos.

Movimentos esquecidos
vadiam estáticos, submersos
talvez porque foram perversos,
porém, agora, só encolhidos.

Não importou a ação contínua,
ela, no fim, foi abandonada,
adaptada à gramínea.

O eterno não perece,
mas é idealizado.
Engole, agora, conformado.

Episódio inseguro

As pernas roliças
gemiam pavor à noite;
Arrependia-se da exibição
e dos dramas da insegurança.
Só queria, ali, salvação plena;
enraizar-se liricamente
em ideologia subjetiva;
queria amar loucura.
Queria fugir, odiar-se,
lutar, talvez falar,
mas, enfim, nem importa.
Episódio assim
faz lembrar a importância
da composição carnal óssea.

Conceitos Paradoxais Convenientes


Olha, que lindas
as nuvens brancas e comportadas.
Olha, que mal-educadas
a chuvas que inundam
as metrópoles.
Olha, que incrível
o amor que em nossos
olhos brilha.
Olha, que triste,
o amor perdido que
chegou longe sem convite.